sexta-feira, 2 de junho de 2017

AINDA HÁ 40% EM MIM

Eu chorei... Eu neguei... Eu desmotivei... Mas, acima de tudo, eu gritei bem alto para ver se o espírito guerreiro, que adormeceu em mim, acordava de uma vez por todas. Eu estava morta em vida, pelo menos era assim que eu me sentia naquele momento, e meu Karatê estava agonizando junto com toda a minha alegria em realizar cada golpe de ataque, defesa, bloqueios e desvios. Realmente pensei que não fosse aguentar. Estava no que eu acreditava ser o máximo do meu limite e estava bastante difícil de caminhar, mas foi aí que tudo mudou.

Em uma tarde, eu disse para mim que não treinaria mais e que toda aquela montanha russa era finita, pois não queria mais treinar. Eu tinha em minhas mãos, naquele exato momento, duas escolhas e uma decisão apenas a ser tomada. Foi aí que lembrei de uma frase do meu antigo mestre: "QUANDO PENSAMOS QUE NÃO PODEMOS MAIS, AINDA TEMOS 40% DE FORÇA DENTRO DE NÓS!" Essa frase foi uma das que marcou não só a minha vida como karate-ka, mas também como ser humano. A partir da lembrança desta frase ficou tudo muito diferente. Em meu interior eu optei por voltar às minhas raízes e fazer exatamente aquilo que fui treinada para fazer: ser uma guerreira marcial.

Ninguém precisa saber das nossas guerras interiores desde que não sejamos simplórios demais para desistir do que realmente acreditamos nesta vida. Eu acredito no caminho do karatê-do, porque me ajudou a tomar melhores decisões em relação à mim do que antes de eu entrar neste caminho. Eu sou Budo-ka e não me arrependo de ter escolhido uma centena de vezes permanecer uma guerreira marcial (a contar por esta vez que estou escrevendo a vocês).

Antes, minhas lutas se resumiam aos tatames, mas, atualmente, minhas batalhas estão no meu cotidiano. Em todos os dias, desde quando eu acordo até quando eu vou dormir, eu digo para mim:
"AINDA HÁ 40% DE FORÇA EM MIM,
AINDA HÁ 40% DE AMOR EM MIM,
AINDA HÁ 40% DE ALEGRIA EM MIM,
AINDA HÁ 40% DE SONHOS EM MIM
E AINDA HÁ 40% DE CHANCE, PORQUE HOJE AINDA NÃO É O FIM...!"

OSS...!

terça-feira, 30 de maio de 2017

A FRAQUEZA E A HUMILDADE


Em outra postagem, aqui neste blog, falei sobre a dificuldade em ser sensei, sobre a responsabilidade de conduzir indivíduos com suas próprias características e especificidades e também sobre o peso de não poder errar.

Eu estava enganada, até mais do que eu poderia supor. Não é porque você chega à faixa preta que você passa a ser alguém sobrenatural e perfeito, totalmente livre dos erros e defeitos. Muito pelo contrário, é neste momento que se percebem as lacunas que ficam mais evidentes em nosso caráter de acordo com cada aluno que passa por nossa vida e através de cada treino que é ministrado.

Ontem eu vi meu mestre errar no meio de um kata e pedir desculpas e recomeçar a fazer o mesmo kata. Inicialmente não entendi por que o pedido de desculpas dele mexeu tanto comigo e foi então que parei para pensar... Passei algumas horas analisando aquele gesto e compreendi que de onde eu vim não era permitido pedir desculpas, o importante era não errar.

Jamais havia visto um faixa preta (de qualquer arte marcial) ter esse tipo de atitude. Jamais havia visto algum faixa preta admitir seu erro a tal ponto de chegar a pedir desculpas pelo mesmo, afinal, de onde eu vim, aceitar seu próprio erro ou pedir desculpas torna-se um ato de fraqueza. E parando, agora, para analisar, não creio que seja dessa forma, pois atitudes como essas não tem fundamento algum.

Com tal gesto do meu atual mestre, eu aprendi que este é o verdadeiro ato de humildade que prega o Karatê-do Shotokan. Errar é humano e é com os erros que se aprende a ser melhor e, ainda que seja difícil admitir um erro, lembre-se que você é um faixa preta, sensei, que muitos se inspiram em você e que palavras ensinam, mas os exemplos arrastam.

OSS...!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

"NUNCA SERÁ..."

Sinto estar perdendo minhas raízes e não consigo voltar. Sei que sou uma estranha no ninho, mas o que passou não posso recuperar. Saí de um lugar e foi uma decisão muito bem pensada, agora percebo realmente que toda decisão tomada tem seus prós e contras. Não sei o que será de mim daqui por diante, mas eu sei que farei de tudo para recuperar a essência do Karatê que eu sempre pratiquei.

Vai doer, mas tenho certeza de que bem menos do que ser rejeitada por ter um karatê totalmente diferente, com essência, com filosofia e contundente em seus golpes de ataques e defesas. Não interessa no que eu me transformei nos últimos quatro anos para cá. O que realmente valerá à pena é eu não perder o espírito guerreiro e persistente que adquiri desde a faixa branca.

A verdade é que tal espírito deve estar por aqui dentro de mim em algum lugar, só que adormecido, porque neste momento eu estou sem forças. Tem alguma coisa de errado comigo. Não sou mais o samurai de ferro que um dia eu fui. Parece que eu fiquei com mais medo do que de costume, que eu estou mais vulnerável tentando agradar pessoas que não ligam a mínima para quem eu sou e para o que eu penso ou sei de karatê.

A conclusão que eu tiro de tudo isso é que, a partir de hoje, muita coisa vai mudar, principalmente em meu caráter e trazer de volta o MEU KARATÊ-DO.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Faixa preta não é para qualquer um


Quando somos dangai pensamos que é fácil ter a faixa preta na cintura e nos apressamos o máximo possível para chegar até ela. Uns com o objetivo de parar quando chegar nela, pois a vê como o final de toda uma jornada, outros a querem porque entendem que é aí que tudo começa e então se tornam Sensei.

Os que param na faixa preta é porque não conseguem entender o verdadeiro sentido dela. Não alcançam o entendimento que a jornada de um karateka é mais do que alcançar faixas e que estar na faixa preta não significa ser um faixa preta. Mas isso não é tudo. É apenas um lado da história... Ainda têm os que se tornam Sensei!

Como é difícil ser sensei...
As decisões são só nossas e não temos o direito de errar, mesmo sendo seres humanos, afinal, lidaremos com vidas humanas que precisam ser disciplinadas como nós fomos um dia.

Fiquei muito feliz quando meu mestre amarrou a minha faixa preta na minha cintura e prometi para mim que não cometeria com os meus alunos os mesmos erros que foram cometidos comigo, no entanto, não é tão fácil quanto parece ser.

Por maior admiração que meus alunos tenham por mim e outras pessoas falem que eu nasci para coisa, com o passar dos dias eu não me sinto tão capaz quanto deveria. Cometo erros até mais feios do que foram feitos comigo. Acima de tudo, não consigo deixar o meu coração de lado e trabalhar somente com a razão.

Estou com muitas decisões para tomar e me vejo sem algo palpável em minhas mãos para seguir por qualquer caminho que seja. Ontem fui dangai e lutei bravamente para chegar a ser Sensei e hoje percebo quão difícil era e é a tarefa do meu mestre em guiar um ser humano com sua própria identidade e opinião.

OSS...!

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O gigante não é maior que a mão de Deus



Parecia um campeonato paraense como outro qualquer, mas nas entrelinhas espirituais se formou uma guerra não somente entre dois seres que um dia se amaram, mas entre muitos que nem ao menos chegaram a se conhecer. Todos sabiam quem era ela, quem era ele e o que faziam. Eles não se entendiam mais por um único motivo que nenhum dos dois entendiam, mas estavam se odiando e isso bastava naquele momento.

Foram meses de uma tormenta muito grande para ela. Ela treinava seus atletas com ferocidade tamanha que não dava escolha a eles. Deixara de ser a "mãezona" para ser a madrasta que cobrava a perfeição e excelência na técnica que já ensinara a todos. De certa forma, a cobrança era uma forma de aperfeiçoar a técnica deles e de se defender do medo que estava sentindo do que poderia acontecer aos seus atletas. Ela só esqueceu de uma coisa...

Deus sempre esteve no comando de tudo na vida dela e dos que a acompanhavam e por isso ela não deveria se preocupar nem com as ameaças e nem com os ataques que a estavam atormentando do lado de lá. Nessa guerra, ela pôde entender que verdadeiramente luz e trevas se chocam e não podem conviver no mesmo lugar então no seu caminhar percebeu que a maioria que se dizia amigo foi se perdendo pelo meio do caminho e ela não se sentiu mais sozinha, porque teve uma fiel amiga que mostrou Deus no comando e foi aí que o medo se dissipou e ela enfrentou cara a cara o medo de estar na presença daquele alguém.

O que eu aprendi com essa história é que o gigante, por maior que seja, não é maior que a mão de Deus, porque no fim, tudo isso rendeu um segundo lugar geral para ela e o primeiro lugar geral para ele. Os dois mereceram e isso demonstra que a vontade de Deus é boa, justa e agradável para tudo e para todos.

terça-feira, 14 de julho de 2015

JÁ SOU SENSEI

Um mês antes do meu exame para a faixa preta um amigo me disse a seguinte frase: "O faixa preta é o faixa branca que nunca desistiu". Passei a semana inteira antes do exame pensando nesta frase e ao chegar na porta de entrada da federação onde seria meu exame passou um filme na minha cabeça desde quando eu era criança e pedi a primeira vez para a minha mãe para fazer Karatê, quando eu entrei no Karatê, tudo o que precisei fazer para continuar, o momento que precisei me afastar e o tão sonhado retorno... E ali estava eu diante de uma porta que se abrira para mim e para o meu sonho acontecer de fato.

Adentrei aquela porta e o nervosismo foi ficando cada vez maior e mesmo ouvindo a voz que dizia desista, eu fiquei firme com a minha decisão de fazer. As horas foram se passando e o exame não começava e o nervosismo só aumentava, até que estavam todos prontos e o exame aconteceu.

Durou uma manhã inteira... Foi puxado demais... Teve um momento que eu pensei que não fosse mais conseguir, mas há alguém lá em cima que me ama muito e me honra em todas as situações da minha vida e o resultado foi favorável... EU SOU FAIXA PRETA... EU SOU SENSEI... Chorei muito de emoção, pois vi que o importante é ter humildade em tudo o que se faz. Só tendo humildade é que se chega lá.

Muitas portas se fecharam para mim pelo meio desse caminho, mas Deus abriu janelas que jamais se fecharão. Eu consegui não graças a mim, mas graças ao Deus que eu sirvo e é para a honra e glória do nome Dele essa vitória... É para Ele que eu ofereço mais essa conquista em minha vida. "Obrigada, Senhor da minha vida, pelo presente que o Senhor me deu... Sem sua misericórdia eu nada seria, eu nada poderia... Amo o Senhor e o glorifico de todo o meu coração... Amém!"

OSS...!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Interpretando o DOJO KUN


ESFORÇAR-SE PARA A FORMAÇÃO DO CARÁTER:

Na busca pelo desenvolvimento e aperfeiçoamento do meu caráter, que é a característica específica que me diferencia das demais pessoas, o Karatê veio a ser para mim um processo de autodescobertas e de crescimento pessoal, gerando em mim valores como o respeito tanto ao outro como a mim e muita disciplina comigo mesma para desempenhar as minhas funções não só como karateka, mas como cidadã.

FIDELIDADE PARA COM O VERDADEIRO CAMINHO DA RAZÃO:

O Karatê me fez acreditar em algo e ser leal a isso. Hoje eu consigo ter uma direção na minha vida e também já consigo discernir as situações em meu entorno. E tudo isso pelo equilíbrio que eu venho recebendo do Karatê. E além de discernir as situações, eu tento prosseguir no que é certo, na maioria das vezes, mas quando eu não acerto, retorno ao ponto de partida e recomeço tudo outra vez com mais vontade.

CRIAR O INTUITO DE ESFORÇO:

No Karatê, eu pude entender que mais do que o esforço corporal que fazemos nos treinos diários existe o esforço interior que é onde encontramos forças para superar as adversidades que aparecem na vida e é também onde alimentamos as ideias de persistência e otimismo para nunca desistir de absolutamente nada. Desde que eu comecei a treinar a ideia de nunca desistir e sempre persistir por tudo e por todos ficou cada vez mais firmada em mim.

RESPEITO ACIMA DE TUDO:

O Karatê me ensinou, na prática, a tratar as pessoas da forma como eu gostaria de ser tratada, com educação, reverência e cordialidade. Tomando, assim, o devido cuidado para não me anular enquanto ser humano que tem diante de si a obrigação de tomar suas próprias decisões que envolvem tanto o outro como a si mesmo. Uma maneira muito boa que eu encontrei de respeito para comigo mesma é evitar maus hábitos e pessoas desagradáveis que possam me colocar em situações desconcertantes ou até mesmo de risco. Quanto a respeitar o outro, eu pude avaliar que partindo da premissa que ninguém é igual e as pessoas vêm de todas as formas e professando as mais diversas crenças, se queremos respeito temos que oferecer respeito primeiro.

CONTER O ESPÍRITO DE AGRESSÃO:

A violência é algo inerente do ser humano e precisa ser canalizada de alguma forma. Estudos mostram que o ser humano tem em si o instinto animalesco que em determinadas situações se enfurece e quer reagir com ferocidade, mas o Karatê ensina ao seu praticante a prudência e o equilíbrio. Eu não fujo à regra. Sempre fui uma pessoa muito agressiva e desconfiada, sempre me meti em confusão e dava muito trabalho para a minha mãe e para quem tomava conta de mim, no entanto, com os preceitos do Karatê em minha vida, eu fui amadurecendo e modificando meus pensamentos agressivos e substituindo pela vontade cada vez maior de ser uma pessoa melhor.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ESTÁ CHEGANDO A HORA


O tempo está passando rápido demais. Foi uma vida inteira sonhando com este momento e onze anos treinando para alcançar um único objetivo. E agora que está tão perto do momento chegar, eu simplesmente me pego em retrospectiva pelo árduo caminho que tive de enfrentar e continuo enfrentando. Lembro-me de tudo e de todos que fizeram parte deste caminho e agradeço a DEUS cada situação e cada pessoa, pois hoje eu sou muito mais forte e decidida do que quando comecei a trilhar o Caminho.

A cada dia que passa, a cada treino vencido, as possibilidades aumentam tais quais as dificuldades que insistem em querer se fazer maiores, mas não são e nunca serão, pois maior do que qualquer barreira eu tenho um DEUS que me cobre com bençãos e proteção. Percebo, em minhas lembranças e em minhas orações que ninguém conseguiu ser melhor do que ninguém, apenas somaram muito na minha vida, só que de maneiras diferentes.

O que eu quero? Ser melhor do que eu posso ser;
O que eu quero? Vencer o medo;
O que eu quero? Superar o fracasso e a tristeza;
O que eu quero? Ultrapassar os limites da rejeição e da solidão;
O que eu quero? SER FELIZ COMIGO MESMA;
O que eu quero? Ser FAIXA PRETA.

OSS...!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Eu sou KARATÊ

video

Muitas pessoas que eu conheço me perguntam o motivo de eu fazer Karatê. A maioria delas faz de tudo para demover o meu sonho de continuar e ser uma grande faixa preta, muitos pensam que me comprando vão conseguir fazer com que eu desista... Enganam-se, pois o Karatê nunca foi um esporte para mim. Desde o primeiro dia em que comecei a treinar eu já sabia que aquela era uma filosofia de vida que eu traria dentro de mim e seguiria até o fim dos meus dias. O Karatê está no meu sangue, na minha essência e no que mais me compor... Eu sou karateka de corpo e alma...

Quem não conhece o Karatê pensa que ele não passa de socos, chutes e outros movimentos combinados, mas eu aprendi ao longo dos anos, dos treinos e das experiências vividas lado a lado com esta arte que eu posso tudo o que eu quiser desde que eu acredite completamente em mim e que eu use o que eu aprender para o bem. Podem vir quaisquer obstáculos, mas a fé que me move a chegar lá me prova que eu vou chegar e isso é o que basta.

Eu há alguns meses conheci uma pessoa que só fez confirmar tudo o que eu sinto em relação ao Karatê. Tornou-se parte integrante dos meus amigos, dos meus amores, daqueles que eu quero muito bem... Ele me ensinou muito e me devolveu o que eu pensei ter morrido, o meu espírito guerreiro, de quem luta sem se importar com as dores físicas ou emocionais que estejam à frente. TUDO VAI PASSAR... Essa fase ruim vai passar... Essas lágrimas vão passar... Essa angústia vai passar e o desespero também, porque nada é maior do que DEUS e foi ELE quem me deu de presente o Karatê para encontrar a força que eu preciso para não enlouquecer e jamais permitir meu espírito esmorecer, porque enquanto vida tiver, ESPERANÇA HAVERÁ...

O vídeo acima foi mais uma superação e mais uma vitória minha sobre mim mesma... Eu consegui superar o medo de estar frente a frente com alguém para lutar... EU CONSEGUI LUTAR... Não foi a vitória sobre a amiga que estava na minha frente. A minha alegria toda está em ter vencido a primeira etapa de uma caminhada inteira...

A verdade é que a lição que eu tiro de tudo isso é que fosse o que fosse que eu escolhesse fazer eu teria que ser a melhor que posso ser, mas nada me encantaria tanto quanto o que eu escolhi fazer, afinal, EU SOU KARATÊ!

OSS...!


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Tem que passar para aprender



Engraçado como são as coisas...

Desde que eu comecei a treinar fui ensinada a não discutir com o árbitro, pois este é mais graduado que eu, tem mais conhecimento, mais experiência e, portanto, sabe o que está fazendo. Eu sempre fui muito disciplinada. Nunca discuti, mesmo tendo minhas opiniões, afinal, ninguém detém a verdade absoluta dos fatos. O que é verdade para mim, pode não ser para os outros e vice-versa.

O tempo foi passando...

Muitas histórias eu vi passar, muitos acontecimentos eu vi transcorrer nesse meio e nem assim eu discuti... O tempo continuou passando... Eu percebi que não estava me adequando e mudei de Federação para justamente não ter que discutir (jamais quis me indispor com ninguém, pois prefiro deixar marcas positivas do que negativas)... Nessa nova Federação consigo me adaptar melhor, mesmo vendo alguns erros, que nem sei se posso considerar como erros, de fato.

E foi num treino de competição que tudo aconteceu...

Estávamos treinando para o Campeonato Brasileiro deste ano e fui para a luta com uma amiga minha, só para treinar meus golpes e ver como estava o meu desempenho. Cada uma fez seu ponto. No desempate da luta, ela foi mais rápida do que eu em tentar acertar o ponto, mas eu senti e vi que o ponto dela passou, mas a decisão não cabia a mim, cabia ao árbitro principal, que já tinha marcado o ponto para ela. Eu não me aborreci com a marcação do ponto em si, mas percebi que era injusto e falei uma única palavra, que anulou todos os meus pontos e me fez perder a luta por mau comportamento: "Passou!"
O Sensei, que era o árbitro principal da nossa luta, olhou bem sério para mim e fez o gesto de mau comportamento e me tirou da luta. Aquilo me deixou extremamente envergonhada por saber que eu cometi uma falta gravíssima com o Karatê e com os meus princípios como Karateka.
Eu fui conversar com o Sensei ao final do treino e me desculpar com ele pelo erro cometido. Disse a ele que não sabia o que estava acontecendo comigo. Realmente naquela hora eu não sabia o que estava acontecendo comigo, mas parei para refletir em cima do ato errado e fiz uma reflexão muito mais profunda, pois fui no passado e voltei ao presente... Aquela única palavra representava todas as injustiças que aconteceram comigo e com outros que eu amei muito dentro do Karatê. O Sensei tão bondoso me disse que essas coisas acontecem, mas que não precisam se repetir, pois somente se pode repetir o que é bom e o que é certo.
Foi uma simples palavra... Foi um simples treino... No entanto, foi muito mais do que eu pensei que seria... Continuo um tanto envergonhada, porque não treino um esporte, eu sigo uma filosofia de vida e daqui para frente eu vou prestar mais atenção nos caminhos que eu percorro dentro do Caminho.

OSS...!